sábado, 16 de janeiro de 2010

Lorde Sertanejo.


Quarta-feira é dia de cinema, mas não qualquer um. Em casa, preferimos os que são na faixa. Se ainda morasse no interior não veria nada mais que um Roliudiano ou uma produção barata "à la sessão da tarde". Mas a indagação é estar na capital onde a cultura emerge das galerias de esgoto. Não está acreditando? Então se tiver a oportunidade vá a alguma dessas galerias e delicie-se com as obras do ex-skatista: Zezão. Se preferir você pode conferir a exposição: "De dentro pra fora, de fora pra dentro" que está rolando no MASP até o dia 06 de fevereiro e saberá do que estou falando.
Mas voltando ao assunto, no último dia 13, fui acompanhado de um músico e amigo ver a pré-estreia do documentário: "O homem que engarrafava nuvens" com direção de lírio Ferreira e produção de Denise Dumont. A faceta cinematográfica se estendeu por dez anos até sua finalização. também não é para menos, o documentário conta a história de Humberto Teixeira, intelectual nascido em Igatu, norte do país. Sobre a ótica da produtora, que também é sua filha, o filme retrata a busca da importância cultural que Humberto reacende quando compunha seu baião. Alguma vezes Teixeira cai na cadência maravilhosa do seu eu-lírico e em parceria com Luiz Gonzaga nascido em Exu, também no norte, promove os seus mais lúdicos pensamentos em acordes e melodias. O resgate do ritmo baião é feito pelos mais diversos artistas durante a película. Nomes como: Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Lenine, Bebel Gilberto, Belchior, Fagner, Otto, Forró in the Dark, Lirinha e o Cordel do Fogo Encantado, são alguns do que elevam a riqueza nordestina em entrevistas que vão se encaixando e contando a história desse exímio compositor.
Além de resgatar a trajetória artística do pai, Denise soube ser concisa e maior. Foi à procura da mãe, Margot Bittencourt, em NY para entender o que Teixeira significava como seu tutor. Sim, Denise foi deixada aos cinco anos de idade com seu pai. Tentar entender esse imbróglio foi a trajetória mais árdua para Denise. Ainda assim, o ápice dessa obra-prima foi ver um dos maiores "estudiosos" da World Music, David Byrne, líder do Talking Heads, falar do nosso Lorde Sertanejo.
Toda a essência estereotipada de Humberto no Filme só o fez firmar não como mais um herói brasileiro, até porque muitas pessoas o desconhecem, mas como o tradutor de uma cultura que emerge em qualquer parte do mundo, até mesmo nas galerias de esgoto, em suas mais diferentes adaptações, a cultura do sertão.
Já dizia Guimarães Rosa: o sertão é dentro da gente.

2 comentários:

Daniela disse...

Que bacana, John! Fiquei tentada a ver esse documentário, tomara que ainda esteja em cartaz no Unibanco ^^

bjobjo!

Friguetes! disse...

Lorde Americano .... fico feliz em saber que algumas pessoas ainda conseguem perceber a riqueza de histórias que o povo brasileiro ainda tem para contar, que aliás são muito mais interessantes dos que as "overproductions" americanas!